"Ontem chorei, vi nos olhos de uma criança, um olhar sem amanhã."

* Mostrar a realidade

A minha intenção ao colocar estas postagens é de mostrar todos os problemas que envolvem as crianças abandonadas.
Tanto os problemas relacionados ao abandono, como também os traumas, as mentiras, os preconceitos. O que envolve os pais que abandonam, os pais que adotam e os filhos adotivos.
Quando se toma uma decisão de adotar é uma responsabilidade muito grande,pois se trata de um ser humano, e as marcas e recordações ficaram pra vida toda.

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quarta-feira, 13 de março de 2013

Ser a outra...

Coloquei na minha página do face sobre ser a outra mãe, quando se é mãe adotiva, mas acho que ninguém entendeu meu ponto de vista. Essa é uma verdade que não se pode discutir. Desde o momento que um bebe nasce ele sai de uma mulher(mãe), e o destino é que o leva para outros braços. Mas a mãe biologica não deixa de existir. Nem mesmo quando não consta o nome dela na certidão de nascimento. Pra mim isso não é triste, isso é realidade. E nós mães adotivas ficamos presas a esse fato pelo resto de nossas vidas. Fiquei por mais de vinte anos guardando esse segredo. No entanto ele foi descoberto, mas qual não foi minha surpresa, meu filho nem quiz e nem quer saber da histótia de sua mãe biologica. Disse que me ama, é grato por tudo, e que sou sua mãe. Graças a Deus não o perdi, pois esse era meu maior temor. Talvez sentisse uma pontinha dse ciumes se tivesse que dividi-lo com outra. Mas a verdade é que ela existe e pra mim sempre ira sempre existir mesmo que seja no silêncio.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Em Mato Grosso, 76 crianças estão prontas para a adoção

Exigências de pretendentes diminuem; maior idade é preocupação para a Ceja 

Elaine Zorgetti, secretária-geral da Ceja: "Adoção só deve ser feita da forma legal. 'Pegar pra criar' não pode existir"

KATIANA PEREIRA

DA REDAÇÃO

Dados estatísticos da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja) revelam uma mudança no perfil das pessoas interessadas em adorem uma criança, em Mato Grosso.

Os quesitos sexo, cor, idade, possuir alguma doença já não são tão determinantes, como em anos anteriores.

“Em 2007, o perfil que tínhamos de escolha em Mato Grosso era assim: meninas brancas, de até dois anos de idade, sem problemas de saúde e sem irmãos. Esse era um perfil quase que nacional. Depois da realização de muitas campanhas de conscientização, isso foi mudando. E teve também a nova Lei da Adoção, que obriga os pretendentes a fazer um curso de adoção. Neste curso, a pessoa muda alguns valores e entende que todas as crianças merecem ter uma família. Dessa forma, as exigências vão mudando”, explicou Elaine Zorgetti Pereira, secretária-geral da Ceja.

Em 2009, de 105 pedidos de adoção, 29 queriam uma criança branca e apenas duas escolheram uma criança negra.

"Meninas brancas, de até dois anos de idade, sem problemas de saúde e sem irmãos. Esse era um perfil quase que nacional. Depois da realização de muitas campanhas de conscientização, isso foi mudando"

Em 2012, de 74 pedidos, 13 queriam uma criança branca, dois preferiam crianças negra e para 38 dos pretendentes a cor era indiferente.

Atualmente, Mato Grosso possui 799 crianças e adolescentes recolhidas em abrigos; destas, 76 estão disponíveis para a adoção. São 42 meninos e 34 meninas, com idades entre dois e 17 anos.

Só podem ser adotadas crianças e adolescentes com até 18 anos, cujos pais forem falecidos, desconhecidos ou tiverem sido destituídos do poder familiar.

De acordo com o Novo Código Civil, maiores de 18 anos também pode ser adotados. Neste caso, a adoção depende da assistência do Poder Público e de sentença constitutiva. O adotado deve ser, pelo menos, 16 anos mais novo que o adotante.

“Existe ainda uma cultura de ‘pegar pra criar’, isso não pode. Esse tipo de adoção, firmada entre pais biológicos e pais adotivos, sem a presença do Judiciário, dá problema para as duas partes. Depois da criança já apegada com os pais adotivos, a mãe se arrepende e quer o filho de volta. Com certeza, ela vai conseguir, se não tiver perdido o pátrio poder. Não tem jeito. Aí, é sofrimento para quem adotou de boa fé, para a criança, para a mãe. Não pode existir esse tipo de adoção. Se quer adotar, se alguém te ofereceu uma criança, se dirija até uma Vara da Família e faça o pedido de forma legal”, explicou Elaine.



Como adotar

Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente, podem adotar homens e mulheres, não importando o estado civil, que sejam maiores de 18 anos. Não podem adotar os irmãos ou avós dos adotados.

“Sempre preferimos que a criança fique com a família. Pais e mães biológicos, e também a família extensa, que são tios, avós. Caso isso não seja possível à criança vai para o cadastro de adoção. Hoje temos todos os tipos de pretendentes, mulheres solteiras, casais e até casais homoafetivos. Já tivemos um caso de adoção homoafetiva no Estado. Antes esses casais adotavam sempre no nome de um dos parceiros, agora como a legislação permite, passaram a fazer o cadastro no nome dos dois”, informou Elaine.

De acordo com Elaine, as buscas por lares para as crianças que vivem em abrigos passam por quatro esferas.

"Primeiramente, procuramos na própria comarca, depois no cadastro estadual e nacional; em último caso, recorremos para a adoção internacional. Antes da criação do Ceja, era comum que crianças brasileiras fossem adotadas por estrangeiros. Hoje, uma das principais preocupações é que as crianças fiquem no território nacional", explicou.

A Ceja também prepara as pessoas que estão dispostas a adotar. Quem decide adotar deve procurar o Fórum de sua cidade, com os documentos pessoais e fazer o cadastro de pretendente.

Depois da análise e aprovação da documentação, psicólogos e assistentes sociais fazem entrevistas e visitas na casa do requerente.

A parte final de todo o processo é o curso preparatório para adoção. Finalizado o curso e com a aprovação em todos os quesitos, a pessoa está habilitada para adotar.

Estando em ordem a documentação, em média, o cumprimento dos atos processuais já enumerados leva 15 dias, entre o ajuizamento e a decisão.



Abrigos

Elaine informou que em todo o Estado são cerca de 60 unidades de acolhimento, para receber crianças dos 141 municípios.

"Muitos se acostumaram com a vida nos lares de amparo, que passa a ser toda a referência deles. Quando esses adolescentes completam 18 anos têm que sair dos lares e muitos não têm pra onde ir"

Em Cuiabá, existe o Lar da Criança, que atende crianças de zero a 12 anos. Depois disso, as meninas são levadas para a Casa de Retaguarda e os meninos, para o Projeto Nossa Casa.

Em Várzea Grande, são quatro casas lares, do Projeto Vida Nova. São duas casas de meninas e duas para meninos. As crianças são separadas por idade.

“Infelizmente, nós temos poucas unidades de acolhimento e elas estão superlotadas. Há muitos problemas de acolhimento, que lotam os lares. São casos de maus tratos, risco de vida e as crianças que passam por isso são recolhidas até que o problema seja resolvido”, disse.



Maior idade é preocupante

Um das grandes preocupações da Ceja, segundo Elaine Zorgetti, é a maior idade das crianças que passaram a vida toda em abrigos. Ao completar 18 anos, os adolescentes são obrigados a deixar as instituições de acolhimento e viver por conta própria.

“Temos muita preocupação em resolver esse problema. Essas crianças passam a vida toda nas instituições. Algumas, quando completam 12 anos, não querem mais ser adotadas, acostumaram com a vida nos lares de amparo, que passa a ser toda a referência deles. Quando esses adolescentes completam 18 anos têm que sair dos lares e muitos não têm pra onde ir”, explicou.

Elaine disse que a Ceja tem buscado parceria com os governos do Estado e Federal para incluir esses adolescentes no cadastro de beneficiários preferenciais do projeto Minha Casa Minha Vida. Para eles terem um teto para onde ir, quando tiveram que sair dos abrigos.

“Conseguimos fazer isso com um menor. Hoje ele trabalha, faz faculdade e tem a sua casa própria. Ficamos felizes com história dele, que está mudando. Mas, temos casos de crianças que deixaram as unidades e caíram no mundo do crime. Teve também o caso de um adolescente que acabou morrendo, devido ao envolvimento com drogas”, disse.



Projeto padrinho

A Ceja também desenvolve o Projeto Padrinhos, que tem por objetivo promover a participação da sociedade por meio de pessoas com perfil altruísta, que não tem interesse definido para o momento em adoção ou guarda, mas que possa apadrinhar crianças ou adolescentes acolhidos em instituições.

Podem ser apadrinhadas crianças acima de sete anos de idade, que estão destituídas do poder familiar ou afastadas do convívio familiar por um tempo significativo.

"Qualquer pessoa com mais de 18 anos de idade pode apadrinhar, independentemente da classe social, profissão, credo, raça ou sexo"

Qualquer pessoa com mais de 18 anos de idade pode apadrinhar, independente da classe social, profissão, credo, raça ou sexo. Também podem apadrinha empresas, instituições, escolas, clubes de serviço, entidades de classe e associações.

São três tipos de apadrinhamento. O “padrinho afetivo” é aquele que visita regularmente a criança ou adolescente, buscando-o para passar os fins de semana, feriados ou férias escolares. A companhia do padrinho proporciona à criança a promoção social e afetiva.

O “padrinho prestador de serviços” é o profissional liberal que se cadastra para atender às crianças participando do projeto conforme sua especialidade de trabalho.

Já o “padrinho provedor” é aquele que dá suporte material e financeiro à criança ou adolescente, seja com a doação de material de necessidade deste. O padrinho pode fazer o patrocínio de cursos profissionalizantes, reforço escolar, prática esportiva e até mesmo contribuição mensal em dinheiro.

A Ceja é vincula ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) e tem sua sede dentro do próprio TJ, localizado no Centro Político Administrativo (CPA). O telefone é 65-3617-3121 ou 3617-3330.