"Ontem chorei, vi nos olhos de uma criança, um olhar sem amanhã."

* Mostrar a realidade

A minha intenção ao colocar estas postagens é de mostrar todos os problemas que envolvem as crianças abandonadas.
Tanto os problemas relacionados ao abandono, como também os traumas, as mentiras, os preconceitos. O que envolve os pais que abandonam, os pais que adotam e os filhos adotivos.
Quando se toma uma decisão de adotar é uma responsabilidade muito grande,pois se trata de um ser humano, e as marcas e recordações ficaram pra vida toda.

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quinta-feira, 11 de abril de 2013

Sistema de consulta pública permite visualizar dados sobre crianças registradas no Cadastro Nacional de Adoção

O sistema de consulta pública do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) permite que pessoas pretendentes a realizar adoção visualizem dados sobre as crianças inseridas no Cadastro Nacional de Adoção (CNA). Através do sistema, é possível acessar informações sobre as crianças e adolescentes disponíveis para adoção em cada unidade judicial de todas as comarcas do Poder Judiciário baiano.

No sistema, os interessados podem também visualizar dados sobre a quantidade de crianças e adolescentes para adoção sob as categorias etnia, sexo e faixa etária. Na 1ª Vara da Infância e da Juventude da Comarca de Salvador, por exemplo, existem 66 crianças inscritas no CNA, das quais 42 são negras, 21 são pardas e três são brancas. Nesta mesma vara, 51 das 66 crianças têm entre seis e 15 anos. Apenas oito crianças cadastradas têm cinco anos ou menos.

Segundo estudo elaborado pelo Departamento de Pesquisas Judiciárias (DPJ) do CNJ, a faixa etária de zero a cinco anos é requerida por nove em cada dez pais que desejam adotar no Brasil. Essa preferência dos pretendentes é o principal empecilho à adoção no País, uma vez que apenas nove em cada 100 crianças inseridas no CNA tem menos de cinco anos. No Nordeste, apenas 16,9% das crianças se encaixam nesse perfil. Em Salvador, o número de crianças e adolescentes com menos de cinco anos disponíveis para adoção é ainda menor, totalizando 12%.

Para realizar a consulta de crianças incluídas no Cadastro Nacional de Adoção, basta acessar o portal da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça da Bahia, clicar no ícone “Cadastros da Infância e da Juventude” na parte inferior do site, e, posteriormente, no ícone “Consulta Pública”. O sistema também pode ser acessado através de link direto.





quarta-feira, 3 de abril de 2013

Escola de menino que foi morto por manicure vai exigir fotos de todos os responsáveis

Mãe da acusada entregou à polícia uma carta em que filha revela plano de sequestro de criança



Carta encontrada pela mãe da maicure acusada de matar criança em Barra do Piraí. A carta tinha detalhes de um plano de sequestro do garoto Luiz Ackermann / Extra

RIO e BARRA DO PIRAÍ — O Instituto de Educação Nossa Senhora Medianeira, em Barra do Piraí, anunciou na noite desta segunda-feira, em reunião com os pais dos alunos, que vai cobrar uma ficha com foto de todos os responsáveis pelas crianças. A informação é do site do jornal "Extra". A decisão foi tomada após a morte de João Felipe Bichara na última segunda-feira, asfixiado pela manicure Suzana Figueiredo. A mulher se passou pela mãe do menino de seis anos no telefone e foi buscá-lo na escola. Ele foi liberado pelos funcionários do portão.

Especialista diz que houve negligência de escola em liberação de menino em Barra do Piraí
Agora, a saída dos alunos será feita pelos professores diretamente aos responsáveis cadastrados.

- A liberação por telefone não será mais aceita sob nenhuma condição. Não vamos tolerar mais erros, por isso revimos todo nosso esquema de segurança - afirmou a diretora do colégio, irmã Irena Boritza.

Ela também afirmou que os funcionários serão remanejados dos cargos, mas ninguém será demitido.

- As duas funcionárias que estavam na portaria na hora da saído no dia do assassinato estão de licença, em estado de choque. Elas continuam no nosso quadro de funcionários, afirmou irmã Irene.

O colégio retomou as aulas nesta segunda-feira. Os alunos estavam em casa desde terça-feira da semana passada em razão do assassinato da criança. Como medida de segurança, a escola instalou câmeras e adotará novas normas para liberação das crianças.





Carta com o plano



Mais cedo, em depoimento prestado na 88ª DP (Barra do Piraí), Simone de Oliveira, mãe da manicure, informou que a filha tinha um relacionamento estável com um homem e, além disso, mantinha um caso com outro, mais velho, a quem chamava de “coroa”. Simone não soube dizer o nome do amante de Suzana, que confessou ter matado o menino João Felipe Bichara, em Barra do Piraí. O delegado José Mario Omena, que acompanha o caso, suspeita que ela estava se referindo ao pai de João, o empresário Heraldo Bichara Jr.



Segundo o delegado, a dúvida será tirada com o depoimento de Heraldo, marcado para esta segunda-feira. Ex-namorado de Suzana, Maicon Santiago Olímpio, de 25 anos, foi ouvido na delegacia e contou que se separou da manicure em julho do ano passado. Segundo ele, a jovem dizia ter ódio de João Felipe e, se fosse mãe do menino, já teria batido nele várias vezes.



— Quando eu morava com ela, ela era maneira. Isso tem entre um ano e 10 meses. Ela falava comigo que o marido da Aline (mãe de João) ficava assediando ela. Se é mentira ou verdade, eu não sei. Ela falava que ia continuar fazendo unha. Ela falava que não tinha nada com ele. Falava que odiava o filho dela (de Aline), que ele batia nela, que se fosse filho dela iria dar uns tapas. Eu falava pra ela sair, mas ela dizia que precisava — disse Heraldo ao site G1.



Pela manhã, a mãe da manicure apresentou à polícia uma carta em que a manicure revela o plano de sequestrar uma criança e pedir resgate. A carta, escrita em duas folhas de caderno, foi achada da casa de Susana.



— Pelo contexto, só pode ser do João — afirmou ao delegado José Mario Omena ao G1.



Segundo o delegado, ela descreveu o plano, detalhando que ligaria para escola, pegaria a vítima e reservaria o quarto de hotel. De acordo com Omena, não há menção de pagamento a terceiros, reforçando a tese de que ela agiu sozinha.



— Se ela ia pedir resgate depois, a gente não deu tempo para isso, pois ela ia pedir com a criança morta mesmo — afirmou o delegado.



Para o delegado, mesmo com os detalhes do plano de sequestro, Susana não tinha intenção de devolver o menino.



— Em momento algum ela pensou em devolver a criança para a família. Uma coisa que me causou estranheza foi ela escrever para si mesma — afirmou o delegado.



A polícia ainda analisará as ligações feitas e recebidas no celular da manicure.



Vídeo mostra manicure com menino



Um vídeo exibido no Fantástico, da TV Globo, mostrou imagens de câmeras de segurança do Hotel São Luís, em Barra do Piraí, no Sul Fluminense, que mostram os momentos em que a manicure entra com o menino andando e sai com o corpo dele no colo. Suzana ligou para o Colégio Nossa Senhora Medianeira pedindo para que ele fosse liberado da aula. Depois de mandar um táxi buscá-lo, Suzana o levou até o hotel e lá matou o menino asfixiado. O corpo foi achado em uma mala, na casa da manicure. A criminosa contou várias versões para o crime: ela chegou a dizer que teve a ajuda do taxista e do recepcionista do hotel, além de ter afirmado que havia tido um caso amoroso com o pai do menino. O delegado Omena espera concluir o caso com o depoimento do pai de João Felipe, Heraldo Bichara.



— O certo é que Suzana matou João Felipe porque estava com muita raiva e para se vingar provavelmente de Heraldo ou da mãe de João Felipe. Por quê? Ainda não sei. Apenas o pai poderá tirar essa dúvida. Quero saber se eles realmente foram amantes e, se foram qual o grau desse relacionamento. Investigo ainda, a informação de que Suzana teria feito um aborto há cerca de três meses, de um filho que estaria esperando do empresário — disse o delegado.



Com medo de represálias, mãe de manicure se muda para São Paulo



Com medo de represálias, a doméstica Simone de Oliveira, mãe de Suzana Figueiredo, deixou sua casa, no bairro Boa Sorte, e se refugiou em São Paulo. Segundo o Extra, no local, um homem, que se identifica como segurança, explicou que ela está à base de medicamentos e que saiu do local por orientação da polícia:



— Ela foi embora daqui. Estou tomando conta da casa porque sempre tem uns palhaços querendo fazer uma graça. Dona Simone está tomando remédios e a própria polícia pediu para ela se afastar.



O delegado titular da 88ª DP, José Mário Omena, que está cuidando do caso, nega ter orientado Simone a deixar a cidade. Omena explica que a procurou para tentar ter mais informações sobre Suzana:



— Eu tentei falar com a Simone para traçar o perfil psicológico da Suzana, ver se ela sofreu algum tipo de abuso, algum trauma de infância.



As aulas no Colégio Nossa Senhora Medianeira, onde o menino João Felipe estudava, recomeçaram nesta segunda-feira. Elas estavam suspensas desde terça-feira passada, em sinal de luto pelo assassinato. Para reforçar a segurança, foram instaladas câmeras na unidade.



A missa de sétimo dia da morte do menino João Felipe Eiras Santana Bichara, de 6 anos, está marcada para às 18h30m, da próxima quarta-feira, na Igreja Matriz de São Benedito, em do Barra do Piraí.




quarta-feira, 13 de março de 2013

Ser a outra...

Coloquei na minha página do face sobre ser a outra mãe, quando se é mãe adotiva, mas acho que ninguém entendeu meu ponto de vista. Essa é uma verdade que não se pode discutir. Desde o momento que um bebe nasce ele sai de uma mulher(mãe), e o destino é que o leva para outros braços. Mas a mãe biologica não deixa de existir. Nem mesmo quando não consta o nome dela na certidão de nascimento. Pra mim isso não é triste, isso é realidade. E nós mães adotivas ficamos presas a esse fato pelo resto de nossas vidas. Fiquei por mais de vinte anos guardando esse segredo. No entanto ele foi descoberto, mas qual não foi minha surpresa, meu filho nem quiz e nem quer saber da histótia de sua mãe biologica. Disse que me ama, é grato por tudo, e que sou sua mãe. Graças a Deus não o perdi, pois esse era meu maior temor. Talvez sentisse uma pontinha dse ciumes se tivesse que dividi-lo com outra. Mas a verdade é que ela existe e pra mim sempre ira sempre existir mesmo que seja no silêncio.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Em Mato Grosso, 76 crianças estão prontas para a adoção

Exigências de pretendentes diminuem; maior idade é preocupação para a Ceja 

Elaine Zorgetti, secretária-geral da Ceja: "Adoção só deve ser feita da forma legal. 'Pegar pra criar' não pode existir"

KATIANA PEREIRA

DA REDAÇÃO

Dados estatísticos da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja) revelam uma mudança no perfil das pessoas interessadas em adorem uma criança, em Mato Grosso.

Os quesitos sexo, cor, idade, possuir alguma doença já não são tão determinantes, como em anos anteriores.

“Em 2007, o perfil que tínhamos de escolha em Mato Grosso era assim: meninas brancas, de até dois anos de idade, sem problemas de saúde e sem irmãos. Esse era um perfil quase que nacional. Depois da realização de muitas campanhas de conscientização, isso foi mudando. E teve também a nova Lei da Adoção, que obriga os pretendentes a fazer um curso de adoção. Neste curso, a pessoa muda alguns valores e entende que todas as crianças merecem ter uma família. Dessa forma, as exigências vão mudando”, explicou Elaine Zorgetti Pereira, secretária-geral da Ceja.

Em 2009, de 105 pedidos de adoção, 29 queriam uma criança branca e apenas duas escolheram uma criança negra.

"Meninas brancas, de até dois anos de idade, sem problemas de saúde e sem irmãos. Esse era um perfil quase que nacional. Depois da realização de muitas campanhas de conscientização, isso foi mudando"

Em 2012, de 74 pedidos, 13 queriam uma criança branca, dois preferiam crianças negra e para 38 dos pretendentes a cor era indiferente.

Atualmente, Mato Grosso possui 799 crianças e adolescentes recolhidas em abrigos; destas, 76 estão disponíveis para a adoção. São 42 meninos e 34 meninas, com idades entre dois e 17 anos.

Só podem ser adotadas crianças e adolescentes com até 18 anos, cujos pais forem falecidos, desconhecidos ou tiverem sido destituídos do poder familiar.

De acordo com o Novo Código Civil, maiores de 18 anos também pode ser adotados. Neste caso, a adoção depende da assistência do Poder Público e de sentença constitutiva. O adotado deve ser, pelo menos, 16 anos mais novo que o adotante.

“Existe ainda uma cultura de ‘pegar pra criar’, isso não pode. Esse tipo de adoção, firmada entre pais biológicos e pais adotivos, sem a presença do Judiciário, dá problema para as duas partes. Depois da criança já apegada com os pais adotivos, a mãe se arrepende e quer o filho de volta. Com certeza, ela vai conseguir, se não tiver perdido o pátrio poder. Não tem jeito. Aí, é sofrimento para quem adotou de boa fé, para a criança, para a mãe. Não pode existir esse tipo de adoção. Se quer adotar, se alguém te ofereceu uma criança, se dirija até uma Vara da Família e faça o pedido de forma legal”, explicou Elaine.



Como adotar

Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente, podem adotar homens e mulheres, não importando o estado civil, que sejam maiores de 18 anos. Não podem adotar os irmãos ou avós dos adotados.

“Sempre preferimos que a criança fique com a família. Pais e mães biológicos, e também a família extensa, que são tios, avós. Caso isso não seja possível à criança vai para o cadastro de adoção. Hoje temos todos os tipos de pretendentes, mulheres solteiras, casais e até casais homoafetivos. Já tivemos um caso de adoção homoafetiva no Estado. Antes esses casais adotavam sempre no nome de um dos parceiros, agora como a legislação permite, passaram a fazer o cadastro no nome dos dois”, informou Elaine.

De acordo com Elaine, as buscas por lares para as crianças que vivem em abrigos passam por quatro esferas.

"Primeiramente, procuramos na própria comarca, depois no cadastro estadual e nacional; em último caso, recorremos para a adoção internacional. Antes da criação do Ceja, era comum que crianças brasileiras fossem adotadas por estrangeiros. Hoje, uma das principais preocupações é que as crianças fiquem no território nacional", explicou.

A Ceja também prepara as pessoas que estão dispostas a adotar. Quem decide adotar deve procurar o Fórum de sua cidade, com os documentos pessoais e fazer o cadastro de pretendente.

Depois da análise e aprovação da documentação, psicólogos e assistentes sociais fazem entrevistas e visitas na casa do requerente.

A parte final de todo o processo é o curso preparatório para adoção. Finalizado o curso e com a aprovação em todos os quesitos, a pessoa está habilitada para adotar.

Estando em ordem a documentação, em média, o cumprimento dos atos processuais já enumerados leva 15 dias, entre o ajuizamento e a decisão.



Abrigos

Elaine informou que em todo o Estado são cerca de 60 unidades de acolhimento, para receber crianças dos 141 municípios.

"Muitos se acostumaram com a vida nos lares de amparo, que passa a ser toda a referência deles. Quando esses adolescentes completam 18 anos têm que sair dos lares e muitos não têm pra onde ir"

Em Cuiabá, existe o Lar da Criança, que atende crianças de zero a 12 anos. Depois disso, as meninas são levadas para a Casa de Retaguarda e os meninos, para o Projeto Nossa Casa.

Em Várzea Grande, são quatro casas lares, do Projeto Vida Nova. São duas casas de meninas e duas para meninos. As crianças são separadas por idade.

“Infelizmente, nós temos poucas unidades de acolhimento e elas estão superlotadas. Há muitos problemas de acolhimento, que lotam os lares. São casos de maus tratos, risco de vida e as crianças que passam por isso são recolhidas até que o problema seja resolvido”, disse.



Maior idade é preocupante

Um das grandes preocupações da Ceja, segundo Elaine Zorgetti, é a maior idade das crianças que passaram a vida toda em abrigos. Ao completar 18 anos, os adolescentes são obrigados a deixar as instituições de acolhimento e viver por conta própria.

“Temos muita preocupação em resolver esse problema. Essas crianças passam a vida toda nas instituições. Algumas, quando completam 12 anos, não querem mais ser adotadas, acostumaram com a vida nos lares de amparo, que passa a ser toda a referência deles. Quando esses adolescentes completam 18 anos têm que sair dos lares e muitos não têm pra onde ir”, explicou.

Elaine disse que a Ceja tem buscado parceria com os governos do Estado e Federal para incluir esses adolescentes no cadastro de beneficiários preferenciais do projeto Minha Casa Minha Vida. Para eles terem um teto para onde ir, quando tiveram que sair dos abrigos.

“Conseguimos fazer isso com um menor. Hoje ele trabalha, faz faculdade e tem a sua casa própria. Ficamos felizes com história dele, que está mudando. Mas, temos casos de crianças que deixaram as unidades e caíram no mundo do crime. Teve também o caso de um adolescente que acabou morrendo, devido ao envolvimento com drogas”, disse.



Projeto padrinho

A Ceja também desenvolve o Projeto Padrinhos, que tem por objetivo promover a participação da sociedade por meio de pessoas com perfil altruísta, que não tem interesse definido para o momento em adoção ou guarda, mas que possa apadrinhar crianças ou adolescentes acolhidos em instituições.

Podem ser apadrinhadas crianças acima de sete anos de idade, que estão destituídas do poder familiar ou afastadas do convívio familiar por um tempo significativo.

"Qualquer pessoa com mais de 18 anos de idade pode apadrinhar, independentemente da classe social, profissão, credo, raça ou sexo"

Qualquer pessoa com mais de 18 anos de idade pode apadrinhar, independente da classe social, profissão, credo, raça ou sexo. Também podem apadrinha empresas, instituições, escolas, clubes de serviço, entidades de classe e associações.

São três tipos de apadrinhamento. O “padrinho afetivo” é aquele que visita regularmente a criança ou adolescente, buscando-o para passar os fins de semana, feriados ou férias escolares. A companhia do padrinho proporciona à criança a promoção social e afetiva.

O “padrinho prestador de serviços” é o profissional liberal que se cadastra para atender às crianças participando do projeto conforme sua especialidade de trabalho.

Já o “padrinho provedor” é aquele que dá suporte material e financeiro à criança ou adolescente, seja com a doação de material de necessidade deste. O padrinho pode fazer o patrocínio de cursos profissionalizantes, reforço escolar, prática esportiva e até mesmo contribuição mensal em dinheiro.

A Ceja é vincula ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) e tem sua sede dentro do próprio TJ, localizado no Centro Político Administrativo (CPA). O telefone é 65-3617-3121 ou 3617-3330.















quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

HISTÓRIA DE MARIA LUIZA.(Visitem seu blog www.nascidosdocoracao.blogspot.com.br)


Minha foto

Minha mãe aproveitava as férias para visitar sua família na praia. Já meu pai seguia seu trabalho em São Paulo. Eu estava embrulhada para presente aguardando a hora exata para entrar em cena.


A cegonha deveria deixar um bebêzinho na porta da casa de meus pais já que estavam casados há muitos anos, mas ela insistia em passar na casa de meus tios. Meu pai gostava de brincar com meus primos e minha mãe ficava encantada com a doçura de minhas primas, mas eles queriam mais... Queriam padecer no paraíso.

Colocaram seus nomes na lista de adoção à brasileira (muito utilizada antigamente e não recomendada!) de uma enfermeira que trabalhava no hospital de uma cidade catarinense. Sabiam que demoraria a chegar a princesa do lar, pois tinham alguns casais na frente a espera de uma criança, por isso se quer decoraram o quartinho ou compraram roupinhas.

Sua filha nasceu". Foi numa simples ligação telefônica que minha mãe recebeu a notícia que mudaria todas as noites de sua vida (e suas férias também). Tão pronto ela avisou meu pai que agora não seria apenas marido, mas seria, sim exemplo de um pequeno ser que estava a caminho de casa.

O casal mencionado acima segue um estilo discreto. Acampamento, escalada ou qualquer aventura deste segmento jamais entraria no repertório dele! Entretanto a aventura estava apenas começando quando decidiram me buscar.

Ah, vocês devem pensar... Mas eles não arrumaram nada para minha chegada? Não! Pela lógica eu não deveria chegar naquela época do ano... Quer dizer, não deveria ser entregue a eles. Acontece que todos os casais antecedentes aguardavam a chegada de menino, e meus pais eram os primeiros na lista que tinham preferência por menina. Mas posso dizer que o motivo de eu ter chegado nesta família é que Deus quis assim (e não tinha escolha melhor!).

Maria Luiza. Nome português escolhido por meu pai. Fui registrada antes mesmo do1º encontro com meus pais. Diz minha mãe que seu coração pressentiu que tudo caminharia bem e que realmente sua filha havia nascido e já que não havia dúvida foram ao cartório e lá tiraram minha certidão de nascimento.


A história continua...


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Minha experiência com filhos adotados.

Falar sobre o assunto de adoção é complicado. Pais adotivos nunca querer falar sobre o assunto e os filhos parecem ter vergonha.
No meu caso gostaria que minha experiencia com a adoção de meus filhos fosse divulgada por todos os meios de comunicação, pois sei que é um exemplo para pessoas que gostariam de adotar e tem medo.
Agora eu posso me abrir e falar livremente sobre o assunto, pois a pouco tempo, por meios pouco desejaveis, meus filhos acabaram descobrindo que eram adotados, e foi uma benção, acabaram aceitando e demonstrando gratidão, e parece que agora são muito mais amorosos comigo. Bom, eles com 16 e 22 anos, eu nunca tinha contado a verdade pelo medo da revolta e rejeição. Mas agradeço a Deus pelos filhos amados que tenho. Sou feliz e realizada por te-los ao meu lado. Estou agora livre para continuar a minha batalha a favor da adoção. E gritar ao mundo que nem todos os filhos adotados ou não, são marginais!!!!
O preconceito é grande, mesmo camuflado na piedade de poucos.

Destino das crianças adotadas.

1) DESTINO DAS CRIANÇAS ADOTADAS




Tradução e resenha :Eliezer de Hollanda Cordeiro

Referências: Christine Angiolini : Jornal Le Monde (10.12.2011) ; L'origine de l'histoire - Paroles d'adoptés from Njaylarage on Vimeo.



Muitos psicólogos , psiquiatras e psicanalistas já estudaram ‘’os ferimentos das crianças adotadas e as dificuldades das familias adotantes. Mas o que se passa com essas crianças quando alcançam a idade adulta? Uma possibilidade é que a ferida original, provocada pelo abandono, cicatrize graças ao amor da família adotiva e ao sentimento de filiação que ela engendra’’. Viadeo Cet élément a bien été ajouté aux favoris de votre classeur. Cet élément a bien été supprimé des favoris de votre classeur.A ferida original d

Outra possibilidade é que ‘’ os segredos de famílias tornem as feridas ainda mais dolorosas e lancinantes’’ Para os que foram adotados, a questão é melindrosa. Muitos temem nunca poderem se livrar da etiqueta de criança abandonada. Como se a sociedade considerassem-nos como seres diferentes,marcados na carne com ferro quente.’’

"Quando conto a alguém que fui adotada,isto provoca frequentement um mal-estar’’, diz Hélène J., 34 anos de idade, de pais desconhecidos, adotada aos 3 meses e meio. As pessoas curiosas respondem quase sempre : Desculpe-me, sinto muito, eu não sabia.Ora, tive muita sorte de ter sido adotada. Não foi um abandono, mas uma dádiva". No LeMonde.fr, Laurent , 38 anos, testemunha : "Fui realmente adotado. Isto me honra e eu não dissimulo este fato, muito pelo contrário. Mas sobretudo, nunca agradecerei suficientemente minha mãe por me ter dado uma família verdadeira. Hoje,sou casado,tenho tres filhos.E sou são de espírito."

Diane Drory, psicóloga, psicanalista co-autora com Colette Frère do livro Le Complexe de Moïse. Paroles d'adoptés devenus adultes (O Complexo de Moisés. Palavras de adotados que se tornaram adultos) , realça a importância de não se estigmatizar as pessoas adotadas. "Se elas puderam superar as duras provas da adoção, foi graças a incrivel energia vital que possuem. É preciso ter muita confiança nelas , não considerá-las como vítimas. E não atribuir-lhes todas as dificuldades que encontram na adoção."

"DUPLA LEALDADE"

As crianças adotadas são confrontadas a uma dívida dupla, que os psicoterapeutas de família chamam "dupla lealadade ". Como explica Nicole Prieur, psicoterapeuta, filósofa e autora de Raconte-moi d'où je viens (Bayard Jeunesse, 2007) (Conte-me de onde venho), elas recebem a vida da mãe biológica, e os meios de vivê-la de maneira digna de sua família adotiva, o que provoca conflitos. "Frequentemente, a criança adotada quer ser leal à sua família adotiva, respondendo até demais, às espectativas existentes nas outras famílias’’, ajunta Nicole Prieur.

Esta exacerbação da lealdade nos adotados pode se traduzir em escolhas profissionais contrariadas,correspondendo mais aos desejos dos pais do que aos seus próprios desejos. "Conseguir tornar-se um traidor feliz não é nada fácil",salienta Nicole Prieur. As vezes,as relações dos adotados com os outros sofrem porque eles precisam evitar conflitos. Enfim, sobre o aspecto amoroso, alguns vão se interessar por seres que têm as mesmas feridas, esperando assim reparar suas próprias histórias dolorosas. Entretanto, Nicole Prieur salienta o perigo de um investimento excessivo do casal e dos filhos pela pessoa adotada, prejudicando os ajustes necessários ao equilíbrio familiar.

A questão das origens pode ressurgir com muita força, quando ocorrem certos acontecimentos na vida destas pessoas: nascimentos, luto, fracasso profissional, ruptura amorosa... No livro, L’enfant et la séparations parentale’’, Diane DRORY descreve O complexo de Mosés., Ela conta o exemplo de Marie-Claire, que sentiu muito a ausência de sua mãe biológica quando ela ficou grávida : "Tua ausência, eu domino, eu a sufoco. Porém ,quando meu ventre se torna mais redondo,eu não suporto mais.. A vida mexe em mim da mesma maneira que ela mexeu contigo. E você não a enfrentou, você desapareceu." Uma etapa dolorosa, mas às vezes salvadora : "O fato de ser mãe e de não abandonar o seu bebê, repara alguma coisa da história dessas mulheres."

Sem dúvida, os homens vivem menos intensamente uma situação de abandono(...) mas, quando o pai olha o rosto de sua criança, ele acha por exemplo que ela parece com ele. Isto lhe faz lembrar, naturalmente, suas origens’’, diz Diane Drory.

UNE IDENTIDADE EM PERMANENTE CONSTRUÇÃO

Quando envelhecemos, a questão de saber donde viemos se torna mais insistente. No LeMonde.fr, Claude , 70 anos, adotado aos 2 anos, evoca sua história. "Minha vida tornou-se agora permanentemente dolorosa, embora eu nunca tivesse pensado nisso no passado. Não suporto mais o grito, o riso, a movimentação duma criança no terraço de um café", contou. Colocamos tais questões existenciais nesta idade da vida. Ora, na história dos adotados, existe um pedaço amputado que é preciso restaurar.

Os adotados interessam muito a fotógrafa Hélène Jayet, que criou um projeto fotográfico cujo objetivo é uma exposição , um webdocumentário e um livro. O projeto busca apoios para terminar a produção das imagens. Desde a escola das Belas-Artes (Beaux-Arts), seus dezenhos já falavam de identidade. Ela fotografava e filmava os adotados, dáva-lhes a palavra. Ela continua lutando para criar um documentário sobre o assunto. Seus objetivos ? Acabar com certos clichês ("Os adotados são sempre infelizes"), ajudar famílias adotivas e, sobretudo, oferecer aos adotados a possibilidade de falar sobre suas histórias. De fato, os adotados evocam com muita dificuldades o que ressentem.A resiliência, esta capacidade das pessoas a se recobrar ou se adaptar às provações da vida, depende também da criatividade. Entretanto, a resiliência não é adquirida de maneira definitiva.Nossa identidade está sempre em construção. "A resiliência do adotado é sem dúvida a aceitação, como todo o mundo, que a identidade é movediça", salienta ainda Diane Drory.A " ferida do abandono deu-me muita força, revindica Hélène Jayet. É esta força que dá uma grande sensibilidade aos adotados e uma abertura ao mundo."